não é moderno nem pertence à cena. Apesar disso, vive à base de música bate-estaca e adora qualquer sonoridade esquisita. Por esse motivo, às vezes, tropeça em novas tendências - mas sempre por mera coincidência
O assunto mais falado de hoje, véspera de feriado, é o projeto de lei que pretende remanejar parte considerável da verba destinada às atividades do SESC a um fundo para melhoria da formação técnica dos jovens brasileiros.
Danilo Santos de Miranda, diretor regional do SESC de São Paulo, assina uma carta aberta a todos os usuários da instituição - que pode ser lida no Portal SESC/SP. Na página, está disponível também um abaixo-assinado em favor do SESC. Clique aqui pra ler a carta na íntegra e, se achar que é o caso, assinar embaixo.
Dia 5 de maio, a APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) entrega os prêmios para quem eles consideraram os melhores de 2007. A festa acontece à noite, no Teatro Sérgio Cardoso.
Abaixo, relaciono os premiados em Cinema, Teatro e Música Popular. E pergunto: você concorda com o resultado? Ou votaria em outro filme, peça ou músico?
Cinema
Filme: “Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho
Diretor: José Padilha, por “Tropa de Elite”
Fotografia: Walter Carvalho, por “Baixio das Bestas”
Roteiro: Beto Brant, Renato Ciasca e Marçal Aquino, por “Cão Sem Dono”
Montagem: Daniel Rezende, por “Tropa de Elite”
Ator: Selton Mello, por “O Cheiro do Ralo”
Atriz: Carla Ribas, por “A Casa de Alice”
Espetáculo: “My Fair Lady”
Diretor: Gabriel Villela, por “Salmo 91″
Atriz: Renata Zhaneta, por “A Grande Imprecação Diante dos Muros da Cidade” e “Macbeth - A Peça Escocesa”
Ator: Guilherme Weber, por “Educação Sentimental do Vampiro”
Autor: Fauzi Arap, por “Chorinho”
Prêmio Especial da Crítica: ”Satyrianas”
Grande Prêmio da Crítica: Bibi Ferreira
Disco: Onde Brilhem os Olhos Seus, da Fernanda Takai
Cantora: Roberta Sá
Cantor: Paulinho da Viola
Grupo: Orquestra Imperial Revelação Feminina: Marina de La Riva
Revelação Masculina: Edu Krieger
Grupo Revelação: Fino Coletivo
Denerval Ferraro Jr., colega de redação e blogueiro do Salada de Frutas, foi hoje à cabine de “Speed Racer”, o próximo arrasa-quarteirão da temporada. Ele conta o que achou.
Essa sexta estréia “Speed Racer”, novo filme dos irmãos Wachovski (diretores da trilogia “Matrix”). E o kiko? Bem, se vc tem mais de 30 anos como eu (tá bom, no meu caso bem mais), já deve estar cantarolando a musiquinha-tema do desenho japonês, que passou no Brasil entre os anos 70 e 80. A maioria dos garotos da época queria ser piloto e ter um carrão como o Match 5 - uma parcela menor torcia pelas aventuras de Safiri, a primeira drag king da TV no desenho “A Princesa e o Cavaleiro”, mas isso já é outra história.
Enfim, vi o filme hoje e estou dividido: a música-tema, o barulhinho do Match 5 quando ele salta, a recordação do desenho, tudo isso massageou minha memória afetiva e quase me fez gostar do filme. Mas a fita é chatinha, perde o ritmo no meio, patina no pieguismo das cenas-família e quase sai da corrida antes de acabar a sessão. Mas é divertido à beça, com cores feéricas, efeitos alucinantes e uma baita tensão na hora das corridas. Os meninos vão adorar as disputas e as meninas, os bonitões (e eles são muitos!) do elenco. Ou vice-versa, vai saber.
A EMI acabou de soltar uma nota dizendo que todos os clipes feitos para o “Fantástico” por Clara Nunes vão virar um DVD ainda este ano. Segundo a gravadora, serão 21 vídeos produzidos entre o comecinho dos anos 70 e 1983, ano em que a cantora morreu. No pacote, entrarão clássicos como “Conto de Areia”, “Guerreira”, “Nação”, “Como é Grande e Bonita a Natureza” e “Morena de Angola”.
Esse DVD abre um precedente sensacional. Será que a moda pega e todos aqueles pré-clipes deliciosamento toscos produzidos pelo dominical da Globo saem finalmente do arquivo morto da emissora?
A seguir, vai um vídeo de Clara cantando “Coisas da Antiga” para o “Fantástico”.
“Rat Is Dead (Rage)”, primeiro single do segundo disco do Cansei de Ser Sexy (Donkey, nas lojas em julho), já está na rede. Para baixar, entre no site do grupo. Volta aqui depois e diz se gostou.
Aqui vai um vídeo da Banda Glória em ação no Museu da Casa Brasileira - uma colaboração da minha colega de redação Marina Gurgel. A apresentação rolou ontem e também fazia parte da programação da Virada Cultural.
Essa coisa de fazer shows reproduzindo os álbuns históricos faixa por faixa devia virar um projeto além da Virada Cultural. Em primeiro lugar, porque tem gente chegando na fila do Theatro Municipal seis horas antes para ver se consegue entrar - ou seja: público há. Depois, porque o troço é realmente emocionante.
Quem viu Luiz Melodia apresentando seu Pérola Negra (1973) inteirinho chegou à beira do choro em pelo menos três músicas - e realmente explodiu em “Magrelinha”. Foi forte… No final, a platéia queria levar Melodia pra casa.
No show que Sá, Rodrix & Guarabira traziam de volta (além deles próprios como um trio) o excelente Passado, Presente, Futuro (1972), a coisa foi além do esperado. Acho que ninguém se lembrava direito como esse disco é bom - não à tôa, um marco na breve história do nosso rock rural. (Por acaso, sentei do lado da mulher e da filha do Zé Rodrix, que me disseram que um disco de inéditas de Sá, Rodrix & Guarabira vai para o forno no mês que vem.)
Não rolou o A Dança das Cabeças (1977), com Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos. Egberto “mandou o Tim Maia” e não foi. A justificativa oficial é que estava doente. Mas Naná não precisa de ninguém e fez o show que anda apresentando (sozinho) ultimamente. Absolutamente genial. No final, ninguém lembrou que tinha ido ali pra ver outra coisa.
Neste momento (são duas e pouco da manhã), a fila na frente do Municipal é pra ver o álbum Snegs (1973), da banda de rock setentista O Som Nosso de Cada Dia. Os cabeludos parecem animados, com suas camisetas pretas. A mais sensacional é uma da Casa das Máquinas, outra banda dos 70. Na Virada Cultural, toda a turma das cápsulas do tempo sai pra fora.
Numa boa: o jornalismo cultural não deveria engolir umas pataquadas às quais é exposto. Por exemplo:
Para apresentar “essa nova fase da banda”, os novos-novos-Mutantes (que agora, além de Rita Lee, também não têm Arnaldo Baptista) fizeram ontem à noite, em São Paulo, um pocket-show seguido de entrevista coletiva. Tocaram três músicas da fase 1968 - 1973 e uma inédita, “Mutantes Depois”. Tudo com a habitual destreza técnica de Sérgio Dias, certamente um dos melhores guitarristas do Brasil. Até aí, tudo certo.
Mas na hora das perguntas, além dos jornalistas, um grupo de fãs ocupou as cadeiras vazias (e o chão) do Salão Nobre do Theatro Municipal, onde a entrevista foi feita. Resultado: a qualquer pergunta um pouco mais provocativa (existe entrevista boa sem uma medida inteligente de provocação?) essa “claque” rompia em uivos, aplausos (às respostas agressivas de um Sérgio Dias irritadiço) e gritinhos.
Uma das poucas perguntas relevantes da entrevista foi a de um jornalista novinho - ele mesmo um fã dos Mutantes, certamente. De um jeito fofo que não saberei reproduzir aqui, o rapaz quis saber por que Sérgio Dias manteria esse nome tão simbólico para a música do Brasil numa banda que era, na verdade, ele só. A pergunta fazia o maior sentido! Mas a resposta ríspida (e insuficiente) de “porque eu sou um mutante” veio seguida de aplausos fanáticos da claque.
Porque gostar incondicionalmente de um artista é uma das coisas mais gostosas desse mundo do entretenimento - principalmente se você tem 15 anos de idade. Mas isso não tem nada a ver com senso crítico, muito menos com jornalismo. Fã tem sua hora e lugar - e não pode ser transformado em guarda-costas de artista que não tem nada a dizer. Nessas, a coletiva não rendeu uma resposta memorável.
Se a música nova é boa? Clique aqui, baixe de graça e tire suas próprias conclusões. Depois me conta o que achou.