Marcus Vinícius Brasil

não é moderno nem pertence à cena. Apesar disso, vive à base de música bate-estaca e adora qualquer sonoridade esquisita. Por esse motivo, às vezes, tropeça em novas tendências - mas sempre por mera coincidência

Regiane Teixeira

É jornalista e baladeira de carteirinha. Repórter que investiga o glamour, as roubadas e os personagens da noite de São Paulo com olhar crítico.





25 de Abril de 2008

Posso perguntar?

mutantes depois 

Numa boa: o jornalismo cultural não deveria engolir umas pataquadas às quais é exposto. Por exemplo:

 

Para apresentar “essa nova fase da banda”, os novos-novos-Mutantes (que agora, além de Rita Lee, também não têm Arnaldo Baptista) fizeram ontem à noite, em São Paulo, um pocket-show seguido de entrevista coletiva. Tocaram três músicas da fase 1968 - 1973 e uma inédita, “Mutantes Depois”. Tudo com a habitual destreza técnica de Sérgio Dias, certamente um dos melhores guitarristas do Brasil. Até aí, tudo certo.

 

Mas na hora das perguntas, além dos jornalistas, um grupo de fãs ocupou as cadeiras vazias (e o chão) do Salão Nobre do Theatro Municipal, onde a entrevista foi feita. Resultado: a qualquer pergunta um pouco mais provocativa (existe entrevista boa sem uma medida inteligente de provocação?) essa “claque” rompia em uivos, aplausos (às respostas agressivas de um Sérgio Dias irritadiço) e gritinhos.

 

Uma das poucas perguntas relevantes da entrevista foi a de um jornalista novinho - ele mesmo um fã dos Mutantes, certamente. De um jeito fofo que não saberei reproduzir aqui, o rapaz quis saber por que Sérgio Dias manteria esse nome tão simbólico para a música do Brasil numa banda que era, na verdade, ele só. A pergunta fazia o maior sentido! Mas a resposta ríspida (e insuficiente) de “porque eu sou um mutante” veio seguida de aplausos fanáticos da claque.

 

Porque gostar incondicionalmente de um artista é uma das coisas mais gostosas desse mundo do entretenimento - principalmente se você tem 15 anos de idade. Mas isso não tem nada a ver com senso crítico, muito menos com jornalismo. Fã tem sua hora e lugar - e não pode ser transformado em guarda-costas de artista que não tem nada a dizer.  Nessas, a coletiva não rendeu uma resposta memorável.

 

Se a música nova é boa? Clique aqui, baixe de graça e tire suas próprias conclusões. Depois me conta o que achou.









comentários dos leitores (1)

  1. Marco

    26 de Abril de 2008

    Cemitério com Mojica: eles vão!

  2.  
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