Da Virada
Essa coisa de fazer shows reproduzindo os álbuns históricos faixa por faixa devia virar um projeto além da Virada Cultural. Em primeiro lugar, porque tem gente chegando na fila do Theatro Municipal seis horas antes para ver se consegue entrar - ou seja: público há. Depois, porque o troço é realmente emocionante.
Quem viu Luiz Melodia apresentando seu Pérola Negra (1973) inteirinho chegou à beira do choro em pelo menos três músicas - e realmente explodiu em “Magrelinha”. Foi forte… No final, a platéia queria levar Melodia pra casa. Â
No show que Sá, Rodrix & Guarabira traziam de volta (além deles próprios como um trio) o excelente Passado, Presente, Futuro (1972), a coisa foi além do esperado. Acho que ninguém se lembrava direito como esse disco é bom - não à tôa, um marco na breve história do nosso rock rural. (Por acaso, sentei do lado da mulher e da filha do Zé Rodrix, que me disseram que um disco de inéditas de Sá, Rodrix & Guarabira vai para o forno no mês que vem.)
Não rolou o A Dança das Cabeças (1977), com Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos. Egberto “mandou o Tim Maia” e não foi. A justificativa oficial é que estava doente. Mas Naná não precisa de ninguém e fez o show que anda apresentando (sozinho) ultimamente. Absolutamente genial. No final, ninguém lembrou que tinha ido ali pra ver outra coisa.
Neste momento (são duas e pouco da manhã), a fila na frente do Municipal é pra ver o álbum Snegs (1973), da banda de rock setentista O Som Nosso de Cada Dia. Os cabeludos parecem animados, com suas camisetas pretas. A mais sensacional é uma da Casa das Máquinas, outra banda dos 70. Na Virada Cultural, toda a turma das cápsulas do tempo sai pra fora.



28 de Abril de 2008
sá e guarabira (e rodrix) são incrÃveis. pirão de peixe com pimenta é dos discos mais legais de todos os tempos. direto da cápsula do tempo.