Marcus Preto

é jornalista por opção - ou por falta de. Apaixonado por música desde que se conhece por gente, não encontrou outro caminho senão expressar essa devoção em textos apaixonados e intensos, assim como ele. Fica ansioso só de pensar na possibilidade de não saber tudo sobre tudo e é por isso que compra vinis, cds e livros compulsivamente.

Regiane Teixeira

É jornalista e baladeira de carteirinha. Repórter que investiga o glamour, as roubadas e os personagens da noite de São Paulo com olhar crítico.





 

 

Só pra continuar a reflexão sobre a questão do download - pago ou gratuito - de música. Conversei hoje com Beto Bruno, vocalista do Cachorro Grande, e aproveitei pra perguntar sobre o assunto. Afinal, a banda lançou Todos os Tempos (2007), seu álbum mais recente, primeiro para venda online. Só um mês depois veio sua versão “física”. Agora, um ano depois, dá pra dizer se o resultado foi favorável?

 

Beto Bruno: Eu fico bem feliz que tenha sido assim. Foi bom pra divulgar. E se a gente não colocasse ali [para download], um carinha ia disponibilizar de qualquer maneira num blog desses e iam baixar de qualquer jeito. O que me incomoda nessa maneira nova de ouvir música não é nem se estão pagando ou não, mas é o formato mp3, é como estão ouvindo. Artista nunca ganhou dinheiro com disco mesmo, isso é papo de gravadora. Os caras que estão numa gravadora com rabo preso - o que não é o meu caso, porque estou numa gravadora mas falo o que quiser - se sente pressionado a dizer que é um problemão ficarem baixando música, que isso está atrapalhando eles. Não está atrapalhando eles nada! O que pode atrapalhar é que, se tu pára de vender, a gravadora não vai ter dinheiro pra investir em ti. No nosso caso, como é uma gravadora pequena, quando o disco não vende bem a gente tem que rachar o custo do clipe com eles. Mas isso sempre se contorna. O mais grave é o som que as pessoas consomem. A gente fica um ano pra compor um material novo, dois meses pra gravar e mais um mixando - tudo pra fazer da melhor maneira. Pra depois o cara ficar ouvindo o disco naquelas caixinhas do computador. Pelo menos copia um CD e vai ouvir no som do teu pai, na sala. Som de iPod também é podre, é de plástico, não tem profundidade, é completamente linear, os graves e os agudos são falsos, os volumes todos que você passou um mês inteiro mixando se perdem. Simplesmente, essa geração não está escutando música. E as bandas de hoje não têm o tesão de ficar na frente de um estéreo só por curtir. Eles ficam na frente do computador conversando com fã e ouvindo os sons que gostam, essas coisas meio de emo, naquelas caixinhas. Depois chegam no produtor e não sabem o tipo de som que querem - porque não ouviram. Isso é o que mais me dói: eles escolheram errado seu super-herói.









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