Marcus Preto

é jornalista por opção - ou por falta de. Apaixonado por música desde que se conhece por gente, não encontrou outro caminho senão expressar essa devoção em textos apaixonados e intensos, assim como ele. Fica ansioso só de pensar na possibilidade de não saber tudo sobre tudo e é por isso que compra vinis, cds e livros compulsivamente.

Regiane Teixeira

É jornalista e baladeira de carteirinha. Repórter que investiga o glamour, as roubadas e os personagens da noite de São Paulo com olhar crítico.





12 de Junho de 2008

Os brutos também amam. Que pena.

 

Totalmente produzida pela Marvel Studios, a versão nova de “O Incrível Hulk” chega amanhã aos cinemas. Mas, ao contrário do monstrengo, o filme não é grande coisa.

 

Abre em alto estilo. Enquanto rolam os créditos iniciais, um resumão explica como foi que o cientista Bruce Banner (Edward Norton) foi contrair essa ”estranha mania” de se transformar em um brutamontes verde e revoltado toda vez que fica nervoso.

 

As primeiras cenas do filme acontecem na nossa Rocinha, no Rio, para onde o cientista se mudou a fim de fugir do General Ross - o militar inescrupuloso que pretende clonar novos Hulks para usar como arma de guerra. Os takes aéreos da favela são inesquecíveis (como a gente nunca tinha visto antes por aqui) e as sequências de perseguição no morro deixam o espectador sem fôlego.

 

Mas, do meio para o fim, a receita desanda. Hulk decide dar uma de King Kong e passa a fazer todas as coisas para proteger sua amada (Liv Tyler), que, como sempre, é uma mulher linda e chata. Acabou. Daí em diante, o roteiro passa a lançar mão de clichês que por várias vezes ultrapassam a fronteira do ridículo.

 

De todo modo, os malucos por histórias em quadrinhos podem se divertir muito. Principalmente pela piada final, quando o próprio Homem de Ferro invade o filme e avisa super-heróis estão sendo escalados para uma liga. Está aberta a porta para a próxima produção da Marvel.
 
 



11 de Junho de 2008

O CD morreu!

 

 

Um desses blogs que disponibilizam discos inteiros pra download de graça… Espera, deixa eu explicar isso melhor.

 

Existem pessoas que gostam tanto de música que se dão o trabalho de postar álbuns completos em um provedor de hospedagem de arquivos (tipo Rapidshare) e depois publicar os links de acesso diariamente em seus blogs. Pra quem também gostar de música - ou tiver interesse no artista em questão - poder baixar, ouvir, conhecer. Não sei se ficou claro: os blogueiros não ganham um tostão com isso. 

 

Expliquei. Voltando. Um desses blogs que disponibilizam discos inteiros pra download de graça disse esta semana ter recebido um ultimato da gravadora carioca Biscoito Fino: ou os responsáveis pelo “crime” deletariam os posts relacionados a todos os artistas de seu elenco ou os advogados da empresa seriam acionados. Os posts foram devidamente deletados, já que ninguém quer ir preso ou pagar multa à toa.

 

A Biscoito Fino tem todo o direito de não querer ver seu produto, que tem um custo alto, sendo entregue de graça na rede. É uma empresa que produz discos e quer ter seu retorno através da venda deles. Mas o buraco que aparece nessa história toda é bem mais embaixo. Afinal, 1 - alguém ainda compra CD no Brasil?, 2 - proibir um blog minúsculo de disponibilizar os tais discos vai aliviar o rombo criado pela pirataria ou pelos downloads de sites gigantescos, tipo Soulseek ou Emule?, 3 - vem ao caso, a essa altura do campeonato, lutar contra a pirataria ou o mais sensato seria viver APESAR dela?, 4 - alguém ainda acredita que o mundo pode voltar à era (e aos hábitos) pré-internet?, 5 - existe quem creia que os mecanismos tecnológicos vão um dia conseguir barrar totalmente a troca de arquivos? Quanta pergunta…

 

O fato é que o mercado fonográfico já deveria ter se tocado (alguns já se tocaram) de que não adianta querer ficar brincando de Dom Quixote, tentando manter o CD, aquele objeto palpável com um furo no meio, no velho posto de “o produto”? O CD morreu! O negócio agora é mandar às favas o sentimento de posse sobre o objeto e reconhecer que o grande produto é o próprio artista e sua música - que não podem ser pirateados. E inventar novas maneiras de ganhar dinheiro com isso.

 

E, nesses novos tempos, um blog como o que foi obrigado a apagar seus posts pela Biscoito seria muito bem-vindo. Afinal, divulgação é parte bem importante nessa história. Desde o tempo em que o CD valia alguma coisa.



11 de Junho de 2008

Ele venceu!

 

A volta do LP ao mercado de música, que já contamina (no bom sentido) 70% dos lançamentos nos Estados Unidos, começa a ecoar por aqui. A Livraria Cultura já ostenta em suas lojas vários bolachões internacionais: dos últimos trabalhos de Amy Winehouse e Radiohead a uma edição comemorativa dos 25 anos de Thriller, do Michael Jackson. Mas a grande pérola da prateleira é Tropicália ou Panis et Circencis, o clássico disco-manifesto do movimento musical brasileiro, lançado originalmente em 1968. Detalhe: a prensagem da Livraria Cultura é recente, inglesa e custa, para nós, R$ 100. 



09 de Junho de 2008

Sem imprensa

 

 

“Fim dos Tempos”, o novo trabalho de M. Night Shyamalan (”Sexto Sentido”, “Sinais”, “A Vila”), chega aos cinemas na sexta-feira, 13. Mas a Fox optou por não mostrar o filme previamente à imprensa - o que não costuma ser exatamente um bom sinal. O mais provável é que a produtora esteja tentando evitar que críticas ruins derrubem a bilheteria do filme, como aconteceu com “A Dama da Água”, trabalho mais recente do mesmo diretor.

 

Como as matérias que você vai ler no dia da estréia de “Fim dos Tempos” terão sido escritas por pessoas que não viram o filme, o melhor esquecer todas elas e ir direto ao trailer:

 



06 de Junho de 2008

Waly em cartaz

 

Segundo Carlos Nader me contou ontem, “Pan-Cinema Permanente”, seu documentário “estrelado” por Waly Salomão, vai mesmo entrar em cartaz. Ele acredita que isso aconteça entre agosto e setembro. O filme é sensacional. Teve sessões lotadas no É Tudo Verdade deste ano (venceu o festival) e precisava ser visto por mais gente.

 

Poeta, compositor e agitador cultural (entre outras coisas), Waly é uma das figuras mais interessantes da (contra) cultura nacional dos anos 70. Ele é o autor de letras clássicas da música brasileira, como “Vapor Barato” (com Jards Macalé), “Memória da Pele” (com João Bosco) e “Mel” (com Caetano Veloso) e dirigiu, em 1971, o legendário show “Fa-Tal”, responsável por tornar Gal Costa a musa daquela geração.



05 de Junho de 2008

Cinquentona enxuta

 

Além dos já anunciados dois shows que João Gilberto fará nos dias 14 e 15 de agosto, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, as comemorações dos 50 anos da bossa nova vão ganhar outros eventos de porte tão cavalar quanto.

 

O principal deles é uma exposição que tomará os três andares da Oca, no Parque Ibirapuera, entre 7 de julho a 7 de setembro. Com curadoria de Carlos Nader, Monique Gardenberg, Zuza Homem de Mello, Hermano Vianna e Nelson Motta, entre outros, a exposição vai contar a história do movimento musical do meio do século passado através de engenhocas de alta tecnologia, num esquema interativo parecido com o que é usado no Museu da Língua Portuguesa.

 

A programação do cinquentenário da bossa segue com um show conjunto de Roberto Carlos e Caetano Veloso nos dias 25 e 26 de agosto, no Auditório Ibirapuera. Os dois vão cantar apenas clássicos de Tom Jobim. Isso promete ser histórico, já que Roberto nunca, nesses seus quarenta e tantos anos de carreira, topou trafegar fora do seu próprio universo musical. Tampouco dividiu o palco de igual para igual com qualquer outro artista. Ainda não se sabe o que o Rei vai cantar na apresentação, mas Monique Gardenberg, que deve dirigir os espetáculos, contou que uma de suas sugestões foi “Por Causa de Você”, parceria de Tom com Dolores Duran. Outra idéia da diretora é repetir o antológico dueto entre Roberto e Tom na canção “Lígia” (esse do vídeo que abre esse post). Daniel Jobim assumiria o lugar do avô no piano e nos vocais.

 

Um terceiro show, que também vai acontecer no Auditório Ibirapuera, presta homenagem a João Donato, um dos precursores da bossa nova. Além do próprio Donato, sobem ao palco Fernanda Takai, Bebel Gilberto, Marcelo D2, Marcelo Camelo, Roberta Sá e Adriana Calcanhotto. Esse espetáculo acontece duas vezes: uma dentro do teatro, no dia 8 de julho, e outra no dia seguinte, gratuita, ao ar livre.

 

Toda essa programação faz parte de um novo projeto cultural do Itaú.



 

A Polônia vai promover, entre 17 e 27 de julho, um Festival de Cinema Brasileiro. Sob a curadoria de Luiz Carlos Merten, os 29 filmes selecionados (longas e curtas) serão exibidos dentro da oitava edição do Festival Internacional de Cinema Era New Horizons.

 

“São Paulo S/A”, de Luiz Carlos Person, é o único “clássico” da lista. Todos os outros filmes foram produzidos a partir da chamada “retomada” do cinema nacional, no meio dos anos 90. Não por acaso, “Carlota Joaquina - Princesa do Brasil”, filme-símbolo daquele momento, está escalado para a mostra.

 

Segue a lista completa:

 

“Árido Movie”, de Lírio Ferreira

“A Via Láctea”, de Lina Chamie

“A Casa de Alice”, de Chico Teixeira

“Carandiru”, de Hector Babenco

“Carlota Joaquina - Princesa do Brasil”, de Carla Camurati

“Cão sem Dono”, de Beto Brant e Renato Ciasca

“Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles

“Cinema, Aspirinas e Urubus”, de Marcelo Gomes

“Deserto Feliz”, de Paulo Caldas

“Andarilho”, de Cao Guimarães

“Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho

“Juízo”, de Maria Augusta Ramos

“Mutum”, de Sandra Kogut

“Não Por Acaso”, de Phillipe Barcinski

“O Invasor”, de Beto Brant

“São Paulo S/A”, de Luiz Person

“Santiago”, de João Moreira Salles

“Serras da Desordem”, de Andréa Tonacci

“Terra Estrangeira”, de Walter Salles e Daniela Thomas

“33″, de Kiko Goifman

“O Céu de Suely”, de Karim Ainouz

“Hermeto Campeão”, de Thomas Farkas

“A Maldita”, de Tetê Mattos

“Alphaville 2007″, de Paulo Caruso

“Vida Maria”, de Marcio Ramos

“Perto de Qualquer Lugar”, de Mariana Bastos

“Saliva”, de Esmir Filho

“Satori Uso”, de Rodrigo Grota

“Sete Minutos”, de Cavi Borges, Julio Pecly, Paulo Silva



Com dois álbuns lançados como cantor, o filho de Frank Sinatra vem ao Brasil para shows em Manaus (em 27 de julho), Salvador (dia 31), Curitiba (2 de agosto), São Paulo (dia 4) e Rio de Janeiro (dia 7). O repertório? Clássicos de… Frank Sinatra. Primeira pergunta inevitável: essa “homenagem” pode ser considerada uma manifestação de muito amor ao pai ou mero oportunismo?

 

Bem, de todo modo, não só o timbre da voz de Frank Sinatra Jr. é muito parecido com o de seu pai. Seu jeito de “dizer” as canções e a postura cênica também são idênticos. Segunda pergunta inevitável: o moço vai algum dia tomar as rédeas de sua própria carreira ou vai viver para sempre na carona do velho e bom Frank Sinatra?

 

 Aqui vai um vídeo dele para quem quiser opinar:

 



 

 

O Centro Cultural Banco do Brasil estréia amanhã em São Paulo a mostra ”As Muitas Vidas de Robert Altman”. São nada menos que 37 longas do diretor americano morto em 2006 - 33 dos quais serão exibidos em película. Além de obras-primas como “MASH” (1970), “Nashville” (1975) e “Short Cuts - Cenas da Vida” (1993), estão programados filmes pouco conhecidos de Altman, como um documentário sobre James Dean feito em 1957, dois anos depois da morte do ator.

 

Abaixo, a lista completa dos filmes da mostra, que fica em cartaz até 22 de junho. Para conferir datas e horários, entre no site do CCBB. Ingressos a R$ 6.

 

1_ “Os Delinqüentes” (1957)

2_ “The James Dean Story” (1957)

3_ “No Assombroso Mundo da Lua” (1968)

4_ “Uma Mulher Diferente” (1969)

5_ “MASH” (1970)

6_ “Voar é com os Pássaros” (1970)

7_ “Jogos & Trapaças - Quando os Homens São Homens” (1971)

8_ “Imagens” (1972)

9_ “O Perigoso Adeus” (1973)

10_ “Renegados até a Última Rajada” (1974)

11_ “Jogando com a Sorte” (1974)

12_ “Nashville” (1975)

13_ “Buffalo Bill” (1976)

14_ “Três Mulheres” (1977)

15_ “Cerimônia de Casamento” (1978)

16_ “Quinteto” (1979)

17_ “Um Casal Perfeito” (1979)

18_ “Popeye” (1980)

19_ “Política do Corpo e Saúde” (1980)

20_ “James Dean - o Mito Sobrevive” (1982)

21_ “O Exército Inútil” (1983)

22_ “Secret Honor” (1984)

23_ “Louco de Amor” (1985)

24_ “O.C. and Stiggs” (1987)

25_ “Além da Terapia / Loucos, Apaixonados e Incuráveis” (1987)

26_ “Van Gogh - Vida e Obra de um Gênio” (1990)

27_ “O Jogador” (1992)

28_ “Short Cuts - Cenas da Vida” (1993)

29_ “Prêt-à-Porter” (1994)

30_ “Kansas City” (1996)

31_ “Jazz ‘34″ (1996)

32_ “A Armação” (1998)

33_ “A Fortuna de Cookie” (1999)

34_ “Doutor T e as Mulheres” (2000)

35_ “Assassinato em Gosford Park” (2001)

36_ “De Corpo e Alma” (2003)
37_ “A Última Noite” (2006)



02 de Junho de 2008

Pergunte ao pó

 

Algum fã maluco do Nirvana passou esse fim de semana pela mansão de Courtney Love, em Los Angeles, e surrupiou a urna com as cinzas de Kurt Cobain, o vocalista da banda americana, morto em 1994. O que será que a pessoa pensa em fazer com o objeto furtado? Cheirar, feito o stone Keith Richards fez com os restos mortais do próprio pai? Courtney disse aos jornais que, se não devolverem logo essas cinzas, ela não sabe o que fará. Nem eu.