Marcus Preto

é jornalista por opção - ou por falta de. Apaixonado por música desde que se conhece por gente, não encontrou outro caminho senão expressar essa devoção em textos apaixonados e intensos, assim como ele. Fica ansioso só de pensar na possibilidade de não saber tudo sobre tudo e é por isso que compra vinis, cds e livros compulsivamente.

Regiane Teixeira

É jornalista e baladeira de carteirinha. Repórter que investiga o glamour, as roubadas e os personagens da noite de São Paulo com olhar crítico.





14 de Julho de 2008

Sobre o novo Batman

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Denerval Ferraro Jr., nosso colega de redação e blogueiro responsável pelo Salada de Frutas, foi à cabine de “Batman - O Cavaleiro das Trevas” e conta o que achou do filme.

 

A ÚLTIMA GARGALHADA

 

Muito se espera de “Batman - O Cavaleiro das Trevas”. Afinal, o novo filme sobre o herói mais sombrio de toda a mitologia criada pelas HQs traria uma nova leitura do principal vilão do Homem Morcego, o insano Coringa. Por coincidência, o melhor vilão de Batman já interpretado no cinema, na pele de Jack Nicholson, em 1989. Mais ainda: era o último personagem vivido por completo pelo ator Heath Ledger, morto no início do ano, por overdose de remédios, com apenas 28 anos. Além de tudo isso, gastaram-se mais de US$ 150 milhões na nova aventura de Batman - e a indústria de Hollywood não costuma poupar quem a faz perder dinheiro

 

Tamanha pressão em cima do diretor Christopher Nolan acabou fazendo um enorme bem ao cineasta. Ele não só criou o melhor e mais impressionante Batman entre todos já feitos para o cinema, como produziu um dos melhores longas-metragens sobre um super-herói - senão o melhor de todos mesmo. “O Cavaleiro das Trevas” é como uma ópera dark e violenta, em que o Bem e o Mal perdem definição para ganhar uma assustadora fluidez. Um espetáculo onde a voz mais avassaladora vem justamente de uma estrela morta: o Coringa de Ledger.

 

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Animados com sua estratégia de acabar com o crime em Gothan City atacando o bolso da Máfia, Batman (Christian Bale) e o tenente Gordon (Gary Oldman) não notam que um esquisito ladrão de bancos - maquiado como um palhaço insano e vestido de roxo -   é o verdadeiro agente da desordem, um vírus prestes a infectar toda uma cidade. Ao mesmo tempo, surge um novo paladino da justiça, o promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart), cujo empenho em defender a justiça a qualquer custo soa a milionário Bruce Wayne como uma chance de, finalmente, poder aposentar o uniforme e viver em paz com sua consciência.

 

Esse senso de tarefa cumprida se desfaz com um só sopro do maníaco Coringa. Insidioso como um câncer, ele se infiltra secretamente no coração dos mafiosos e passa a representá-los com duas promessas: reaver todo o dinheiro perdido e livrar-se de Batman para sempre. Mas tudo não passa de uma piada mortal: Coringa não tem ética, regras nem ambição. Ele quer se divertir, e diversão, para essa mente perturbadora, significa desordem, pânico e morte.

 

Está tudo ali: as perseguições feéricas, as lutas corporais, as traquitanas do Homem Morcego, até uma Batmotocicleta. Mas não há cena ou efeito especial que mexa mais com o espectador do que o olhar perverso, a voz insuportável ou o visual desagradável do Coringa. Um trabalho de atuação tão marcante que já há críticos apontando a possibilidade de um Oscar póstumo. Não deixaria de ser um toque dourado na trajetória macabra de um filme brilhante.

 

 

Assista ao trailer do filme:

 



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Com uma cópia restaurada do clássico “A Mulher de Todos” (foto acima), o Cinecesc estréia no dia 14, segunda-feira, a mostra “Helena Ignez - A Mulher do Bandido”, dedicada à atriz brasileira. São 25 filmes, entre longas, médias e curta-metragens, interpretados ou dirigidos por ela.

 

Helena é mais lembrada como uma figura do undergroung, muito por sua parceria (na vida e na arte) com o mestre Rogério Sganzerla (com ela na foto abaixo). Mas basta ver a lista dos filmes programados para esses quatro dias de Cinecesc para chegarmos à conclusão de que seu trabalho de atriz ultrapassa as fronteiras desse rótulo. Como a própria mostra, alías, que além de fazer justiça à arte de Helena Ignez, serve para trazer à tona alguns dos filmes mais criativos produzidos neste país.

 

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Estão programados:

 

“O Pátio” (1959), de Glauber Rocha

“A Grande Feira” (1961), de Roberto Pires

“O Assalto ao Trem Pagador” (1962), de Roberto Farias

“O Grito da Terra” (1964), de Olney São Paulo

“O Padre e a Moça” (1966), de Joaquim Pedro de Andrade

“Cara a Cara” (1967), de Julio Bressane

“O Bandido da Luz Vermelha” (1968), de Rogério Sganzerla

“A Mulher de Todos” (1969), de Rogério Sganzerla

“Os Montros de Babaloo” (1970), de Elyseu Visconti

“Barão Olavo, o Horrível” (1970), de Julio Bressane

“Cuidado, Madame” (1970), de Julio Bressane

“Copacabana Mon Amour” (1970), de Rogério Sganzerla

“Sem Essa, Aranha” (1970), de Rogério Sganzerla

“Nem Tudo É Verdade” (1985), de Rogério Sganzerla

“Ondas” (1986), de Ninho Moraes

“Perigo Negro” (1992), de Rogério Sganzerla

“Perdi a Cabeça na Linha do Trem” (1992), de Estevão Ciavatta Pantoja

“São Jerônimo” (1998), de Julio Bressane

“B2″ (2001), de Rogério Sganzerla e Sylvio Renoldi

“Reinvenção da Rua” (2003), de Helena Ignez

“O Signo do Caos” (2003), de Rogério Sganzerla

“Elogio da Luz” (2004), de Joel Pizzini e Paloma Rocha

“A Miss e o Dinossauro 2005″ (2005), de Helena Ignez

“Helena Zero” (2006), de Joel Pizzini

“Almas Passantes” (2008), de Ilana Feldman e Cléber Eduardo

 

Para saber os horários das projeções, basta entrar no site do Cinesesc.



Dois relançamentos ótimos apareceram aqui na redação hoje.

 

Um:

 

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TAPESTRY (1971), da Carole King
(Sony/BMG)

 

Classicão do pop americano, é o disco que tem as baladonas famosas “It’s too Late”, “You’ve Got a Friend”, “(You Make me Feel Like) A Natual Woman” e “Home Again”. Há quem diga que essas canções envelheceram, dataram. Mas basta ouvir o disco inteiro, numa sentada só, pra ver que isso não é verdade. Chega agora em reedição especial, dupla - um CD traz as faixas originais do álbum de 71 e outro, uma versão ao vivo, gravada em 73.

 

 

Dois:

 

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PAU BRASIL (1982), do Francis Hime
(Biscoito Fino)

 

Tá certo: não é o melhor trabalho do compositor carioca. Mas isso não representa exatamente um demérito. Francis é grande até em seus momentos menores. E, com mais esse lançamento, sua obra completa vai sendo, aos poucos, recolocada na prateleira. Lançado originalmente pela Som Livre, Pau Brasil tem lindas parcerias com Paulo César Pinheiro (”O Grande Ausente”), Olivia Hime (”Cada Canção”) e Chico Buarque (”Embarcação”).



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Simony, a ex-apresentadora do “Balão Mágico”, vai voltar à ativa na música. Pois 26 anos depois da estréia do infantil da Globo (que saiu do ar em 1986), a moça acaba de botar na praça um CD onde regrava os maiores sucessos do… “Balão Mágico”. Nossa, que importante esse disco.



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Hoje o show é fechado e os ingressos já estão esgotados. Mas amanhã, quarta-feira, 9 de julho, feriado, João Donato se apresenta ao ar livre (e de graça) no Parque do Ibirapuera, às 5 da tarde. E é um programa sensacional.

 

Pelo próprio Donato, um verdadeiro gênio da música feita por aqui nos últimos 50 anos, valeria a pena ir para o parque de joelhos. Mas a apresentação traz ainda um time de convidados que - posso apostar! - você nunca mais verá junto no mesmo palco. Por ordem alfabética: Adriana Calcanhotto, Bebel Gilberto, Fernanda Takai, Marcelo Camelo, Marcelo D2 e Roberta Sá.

 

Cada um desses meninos - vários deles altamente influenciados pelo som de Donato em seus próprios trabalhos - vai render sua homenagem ao mestre, participando de três músicas. É interessante imaginar o que pode acontecer. Artistas de trabalhos tão pessoais como esses nem sempre se sujeitam ao risco de ultrapassar a linha de seus próprios universos particulares e se aventurar no reino dos outros. Por isso, é interessante assistir ao resultado de uma investida dessas - seja lá o que aconteça.

 

Os shows de Donato fazem parte do projeto ItaúBrasil - pacote que comemora os 50 anos da Bossa Nova e inclui a mega exposição que estreou ontem na Oca, no mesmo Parque do Ibirapuera.

 

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A notícia de que Donkey, o esperadíssimo segundo disco do CSS (ou Cansei de Ser Sexy para nós, brasileiros), estava soltinho na rede deixou a molecada em polvorosa na tarde de ontem, sábado. Fui checar no Soulseek e no eMule e ele está lá mesmo, nos dois: facinho, facinho. Umas 200 pessoas já copiaram e deixaram disponível - e esse número aumenta a cada segundo.

 

Os que preferem seguir a lei têm que esperar mais uns dias: o lançamento oficial do álbum só acontece no dia 21. Mas ele já pode ser encomendado: sua versão gringa está em pré-venda no site da Hmv.com. E, enquanto o carteiro não vem, vale baixar “Rat Is Dead (Rage)”, a faixa que a banda deu de presente no site oficial.

 

Detalhe: lá fora, o disco sai também em vinil (Adriano, guarda um pra mim!). Quando essa tendência mundial vai chegar ao Brasil para além das fronteiras (e dos preços absurdos) da Livraria Cultura?



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Foi hoje, sexta-feira, a cabine para a imprensa de “Encarnação do Demônio”, o último filme da trilogia de Zé do Caixão - que começou com “À Meia-Noite Levarei sua Alma” (1964) e “Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver” (1967). O ex-coveiro que foi preso há 40 anos por uma série de assassinatos é libertado da cadeia, e volta a procurar uma mulher perfeita com quem pretende gerar um filho imortal.

 

Os caras foram espertos. Não deixaram que a “superprodução” (Mojica nunca tinha visto tanta grana na vida) e os bons efeitos especiais (para uma produção nacional) tentassem disfarçar nada da canastrice essencial do personagem, do roteiro, do ator, do conceito todo. Ou seja: ainda que mais “rico” e nem um pouco tosco tecnicamente, este continua sendo um filme de Zé do Caixão. E é por isso que dá pra gostar do filme. Gostar muito, até.

 

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O elenco de apoio é sensacional: tem os veterandos-lendários Zé Celso Martinez Corrêa, Helena Ignez e o sempre talentoso Milhen Cortaz - propositalmente tão canatrão quanto o protagonista. E, é claro, a última aparição de Jece Valadão no cinema (o ator morreria logo em seguida).

 

Os mais atentos ainda podem achar o estilista Alexandre Herchcovitch (que também assina o figurino de Zé do Caixão) e seu inseparável Johnny Luxo fazendo ponta como dois travestis de rua.

 

Estréia dia 8 de agosto. Veja o trailer:

 



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Ontem, o Multishow transmitiu, direto do Theatro Municipal do Rio, a entrega de seu prêmio de Música. Os vencedores foram Ivete Sangalo, Maria Rita, Ana Carolina, Charlie Brown Jr., Vanessa da Mata, NX Zero (Di Ferrero, vocalista da banda, ganhou na categoria Melhor Cantor). Essa lista não deveria surpreender ninguém, já que se trata de uma votação popular, feita pela internet. Mas o fato é que não paro de ouvir gente descontente com a seleção, choramingando que ela não representa a música brasileira “de qualidade” e, pior, que ela coroa o “mau gosto” do público.

 

Pra começar, é evidente que os premiados da noite de ontem mereciam os troféus que levaram pra casa. Afinal, eles têm o pré-requisito único que o prêmio pede: popularidade. Quem vota são os fãs. Logo, quem tem muitos fãs tem muitos votos. Partindo desse princípio, é essa a “qualidade” (o sucesso popular) que o Multishow pretendia premiar. Assim foi feito.

 

Em segundo lugar, seria interessante imaginar que prêmio inútil seria aquele que perdesse seu tempo dedicando troféus ao “bom gosto”. E a que público frígido isso poderia interessar? Sem querer teorizar muito, sou do time que acredita que música (arte em geral) que teme soar “de mau gosto” tem a profundidade de um pires e nenhuma graça. Artista (ou até mesmo crítico, por que não?) que não suja as mãos (mesmo que apareça com elas limpíssimas, depois) limita suas possibilidades e está mais preocupado em fazer pose do que em criar alguma coisa realmente interessante.

 

Por isso tudo, a premiação da noite de ontem foi bem coerente. E ela diz muito mais do Brasil do que qualquer prêmio dado pela crítica aos “melhores” ou “mais chiques” da música brasileira - com tudo o que essa afirmação possa ter de bom e ruim.