Marcus Vinícius Brasil

não é moderno nem pertence à cena. Apesar disso, vive à base de música bate-estaca e adora qualquer sonoridade esquisita. Por esse motivo, às vezes, tropeça em novas tendências - mas sempre por mera coincidência

Regiane Teixeira

É jornalista e baladeira de carteirinha. Repórter que investiga o glamour, as roubadas e os personagens da noite de São Paulo com olhar crítico.





29 de Maio de 2009

Pós-Trentemoller

Trentemoller 

Passavam das 4h30 da matina e o cartaz de papel colado na fachada do D-Edge, avisando que a casa estava lotada, ainda não havia desanimado quem estava na fila à espera de sua vez para entrar. Mesmo do lado de fora era possível ouvir baixinho ao remix de Trentemoller para “Do What You Doâ€, do japonês Yoshimoto, que o próprio dinamarquês tocava lá dentro, para uma pista que se recusava a esvaziar.

 

Quem chegara mais cedo ainda pôde ouvir ao set do também dinamarquês Kasper Bjorke, que parecia não cansar de levantar os braços e de balançar a longa cabeleira encaracolada. Assim como sua aparência, a seleta musical seguiu excêntrica com batidas quebradas, muitos vocais e samples de metais. Não tocou nada de In Gumbo – pena.

 

Trentemoller entrou por volta das 3h, e abraçou o lado mais pop de seu repertório. Na largada tocou um remix da ótima “Moanâ€, do álbum The Last Resort, e seguiu noite adentro com remixes de Franz Ferdinand e Nirvana (!). O pandemônio veio com a versão endiabrada de “What Else is There?â€, do duo Royksopp, com direito a coro do público extasiado.

 

Para quem esperava o dinamarquês tocar por aqui desde o cancelamento de 2006, foi noite de desengasgo.



Eis que chega o momento da festa para quem é literalmente baladeiro de plantão… O último evento que faz parte do lançamento da revista Vice (que é distribuída gratuitamente nas principais cidades do mundo e chega ao Brasil) acontece na próxima terça-feira (2) na The Week. Os fortes boatos indicam que a atração surpresa da noite será o DJ set da banda americana The Rapture. Além do grupo, se apresentarão o DJ brasileiro Dubstrong, o punk Jay Reatard, a dupla The King Khan & BBQ Show e o DJ e produtor A-Trak. 

 

A festa é gratuita e a falação e o alvoroço em torno da noite são grandes, mas vale lembrar que só poderá ir quem tiver o seu “passaporte†preenchido com as estrelas entregues nos eventos anteriores. Também é necessário fazer o cadastro no site http://www.thewaywerun.com.br. Será obrigatória a apresentação do passaporte com quatro estrelas e RG na entrada. Quem não participou das festas desde o começo, perdeu.

 

 

 



Dois dos maiores produtores de música eletrônica da atualidade se apresentam hoje no clube D-Edge, e ambos vêm da Dinamarca. Quem abre a noite é Kasper Bjorke, cujo excelente disco de estreia - In Gumbo (2007) - mistura house com o disco-punk de bandas como Rapture e LCD Soundsystem. 

 

Kasper Bjorke - Back & Spine

 

 

Em seguida, Anders Trentemoller sobe aos toca-discos com ares de celebridade. Nos últimos anos ele despejou nas pistas grandes sucessos como os remixes para “What Else is There?”, do duo conterrâneo Royksopp, e para “Go”, clássico do novaiorquino Moby.

 

Quando produz canções próprias, Trentemoller embarca em sonoridades menos aceleradas, contemplativas e viajantes. Exemplo é “Moan”, uma das mais inspiradas de seu álbum autoral de estreia - o melancólico The Last Resort (2006).      

 

Quem completa a escalação são os brasileiros Daniel Avellar e Paulinho Boghosian. Para assistir ao combo é preciso desembolsar R$ 40 (mulheres), R$ 70 (homens) ou, com lista de desconto pelo site, R$ 30 (mulheres) e R$ 60 (homens).

 

Trentemoller - Moan

 

 

Royksopp - What Else is There? (Trentemoller remix)

 



26 de Maio de 2009

Rebole com o Animal Collective

Durante o show que fizeram no festival Planeta Terra, no ano passado, o quarteto norte-americano Animal Collective mostrou porque são rotulados como “esquisitos”. O repertório - alicerçado por guitarra, baixo e teclados hipnóticos - veio principalmente do ótimo Merriweather Post Pavillion (2009) e de Strawberry Jam, lançado em 2007. 

 

E é de Post Pavillion que saiu a faixa “Summertimes Clothes”, que acaba de ganhar um ótimo remix do produtor Dam-Funk, de Los Angeles. Funk lança pelo selo independente Stones Throw (bem conhecido no meio alternativo) e tornou a música do Animal Collective mais dançante, e eventualmente rebolável.  

 

Animal Collective - Summetime Clothes (Dam-Funk remix)

 

 

[Via RCRDLBL]



20 de Maio de 2009

No rastro do Cobra

O fotógrafo Cobrasnake passou por São Paulo na semana passada, em uma festa fechada para convidados (a mesma em que tocou Pase Rock). Coincidentemente, acaba de ser lançado na web o clipe de uma nova música do produtor Classixx, dirigido pelo próprio Cobra. O vídeo é tão despojado quanto suas famosas fotos - com uma menina dançando na praia de maiô -, e a música é bem ensolarada também.

 



Muito bonito esse novo clipe do quarteto novaiorquino Grizzly Bear para a música “Two Weeks”. Ela faz parte do terceiro álbum de estúdio do grupo, Veckatimest, lançado em maio deste ano pela gravadora Warp - casa do produtor irlandês Aphex Twin. Para entusiastas de balões de hélio, o clipe deve tocar no coração.  

 



15 de Maio de 2009

Pase Rock gosta de museus

Paserock
Perdeu a discotecagem do Paserock na festa da Adidas na última quarta? O DJ, que classifica seu som como “enérgico e dançante”, mas que não “presta muita atenção em estilos que as pessoas inventam”, respondeu a três breves perguntas para o blog durante sua passagem por São Paulo.

 

Você acha que esse novo rap indie/eletrônico (de gente como os Cool Kids e Kid Sister) pode substituir o gangsta no mainstream?
É difícil prever esse tipo de coisa, mas parece que nos Estados Unidos as pessoas não acham que ser durão é tão legal como costumava ser. Tenho a impressão que a molecada de hoje está mais interessada em dançar cada vez mais.

 

Cite alguns artistas influenciaram sua carreira.
Alguns deles: Quincy Jones, Miles Davis, Stevie Ray Vaughn, Prince, Rick James, DJ Jazzy Jeff, 3rd Bass, e outras coisas do hip hop mais antigo.

 

O que você quer visitar em São Paulo durante sua passagem pela cidade?
Gostaria de conhecer museus e galerias de design. Eu andei bastante pelos Jardins e conheci algumas casas noturnas. Já estive por aqui outras vezes. Eu visitei o prédio da Bienal nesta semana e foi divertido.



Os mais saudosistas podem dizer que a música psicodélica jaz nos anos 1960. Mas ainda que Jefferson Airplane e similares tenham virado história, ainda há muitos artistas que usam sonoridade hipnóticas para arrebanhar fãs. É o casa do jovem Nathan Fake, que está lançado seu novo álbum, Hard Islands.

 

Ele já esteve em São Paulo, em 2007, na ocasião do Skol Beats daquele ano. Seu nome começou a interessar quando passou a lançar discos pela gravadora Border Community, do inglês James Holden (outro que esteve na cidade em 2007). O selo, especializado em tirar sons entorpecidos de teclados sintetizadores, deu projeção ao produtor nas pistas de dança.

 

Hard Islands é o melhor trabalho de Fake, de longe. O álbum traz faixas inspiradas, melódicas, repletas de idas e vindas. Abaixo, uma mostra da viagem do produtor.

 



Não parece que foi a tanto tempo assim, mas os anos 90 que estavam logo ali já são vistos como coisa do passado. Como o show do Oasis é amanhã e tratá de volta para alguns um sentimento de “britrock”, prepare a sua camisa de flanela com os moldes de Gustavo Mini

 

camisa.jpg



A rapper Kid Sister, uma das principais atrações do Nokia Trends 2008, não tem nenhum álbum lançado, mas gostamos dela. Sua fama vem de algumas faixas soltas que vazam na internet, pelo menos enquanto não chega o prometido disco de estreia, Dream Date.

 

Como boa moradora de Chicago, berço da house music, ela prestou um tributo ao gênero com esse novo cover de “I’ll House You” - clássico dos anos 80 criado pelo grupo Jungle Brothers. Tecladinhos, clima de festa e nostalgia pura.